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Veja prós e contras das formas de pagamento no exterior com novo IOF
Postado em: 02/01/2014

aumento na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incide nos pagamentos em moeda estrangeira no exterior, válido desde sábado (28), diminuiu as vantagens de certas formas, como o cartão pré-pago, sobre o cartão de crédito, por exemplo. O G1 buscou especialistas para saber as vantagens e desvantagens de cada modalidade de pagamento. Eles sugerem que o consumidor divida os gastos entre elas, em vez de priorizar uma, para evitar imprevistos e altas variações da moeda.

O IOF subiu para pagamentos em moeda estrangeira com cartão de débito, saques em moeda estrangeira no exterior, compras de cheques de viagem (traveller checks) e carregamento de cartões pré-pagos com moeda estrangeira. O imposto para eles passou 0,38% para 6,38%, mesmo nível do cartão de crédito.

Veja abaixo as dicas de Sidney Moura Nehme, diretor executivo e economista da NGO Corretora de Câmbio, e Jason Vieira, diretor-geral do portal de informações financeiras MoneYou.

- Cartão de crédito
Uma das principais vantagens oferecidas por essa modalidade é a segurança de não andar com o dinheiro vivo. O cartão de crédito também possibilita que o consumidor pague a compra com a cotação do dólar na data do vencimento da fatura. Contudo, trata-se de uma decisão de risco: a moeda pode tanto desvalorizar quanto ficar mais cara.

Por conta dessa variação imprevista, Nehme sugere que o consumidor divida os gastos com outras formas de pagamento. "Com a mesma alíquota do IOF, tudo vai ficar mais ou menos parecido. É uma questão de arbitrar (...). Vale fazer um ‘meio a meio’. Compra um pouco no cartão de crédito, um pouco no débito, em dinheiro. Na média [o consumidor] nem vai pagar muito mais caro nem ganhar muito mais."

Outra desvantagem do cartão é que ele pode não ser aceito em todos os estabelecimentos comerciais.

Com relação ao acúmulo de pontos no cartão para a troca por produtos ou milhas, Nehme avalia que a vantagem não é eliminatória - pois uma forte alta do dólar na hora do pagamento da fatura pode deixar a conta mais cara.

Vieira lembra, porém, que a variação da moeda, recentemente, não tem sido muito brusca, e avalia que não deve haver uma preocupação tão alta com o sobe e desce da moeda.

É importante que o consumidor faça o desbloqueio, com o banco, do uso do cartão de créditono exterior antes de viajar, para não evitar problemas na hora do pagamento lá fora.

- Cartão de débito
Uma das principais vantagens oferecidas por essa modalidade é garantir a cotação da moeda na data em que for confirmada a compra - sem precisar esperar o vencimento da fatura do cartão de crédito. Contudo, especialistas alertam que as instituições financeiras podem cobrar taxas para as transações, o que deve ser pesquisado com antecedência pelo consumidor nos bancos (pode não haver cobrança). 

"O débito seria vantajoso se não tiver nenhuma taxação extra. É preciso ver se vale a pena e evitar uma surpresa na conta quando chegar no Brasil", alerta Jason Vieira. Ele lembra que é necessário ligar para a instituição financeira e pedir o desbloqueio do uso do cartão de débito o exterior antes de viajar. "O cartão precisa ser internacional", diz.

Também é preciso ficar atento à aceitação da modalidade de pagamento pelo comércio local. "Tem local que não consegue conectar", ressalta Sidney Nehme.

- Cheques de viagem (traveller checks) ou cartões pré-pagos
Os especialistas avaliam que pode ser vantajoso fazer o cartão pré-pago ou a compra dos cheques de viagem (menos comuns, por conta do cartão de plástico) para garantir a cotação da moeda e já saber quanto ficará a conta. Há também a segurança de não ficar usando o dinheiro em espécie.

"Agora, de uma forma geral, os cartões ficaram muito iguais. Eu compro o pré-pago e sei quanto vai custar o dólar. Mas nada garante que daqui a 40 dias quando chegar a fatura do cartão de crédito [se a pessoa optar por essa modalidade], o dólar vai estar mais baixo."

- Dinheiro
Apesar de o IOF não incidir na troca do dinheiro em espécie, Nehme avalia que o mercado acaba adequando o preço da moeda, ou seja, como as demais modalidades ficarão mais "caras", automaticamente o preço da moeda estrangeira em espécie para o turismo sobe também, sugere.

"O mercado se ajusta (...). Não vai afetar o dólar comercial, mas o mercado de turismo vai aumentar o preço [da moeda], porque terá um novo referencial", sugere. Nehme acredita que o mesmo deve acontecer lá fora, para quem resolver deixar para trocar a moeda quando chegar no destino. "Os mercados se intercomunicam muito rápido", diz. Vieira lembra, ainda, que o real pode não ser aceito nas corretoras do país de destino ou por não ser muito aceita, podem pagar pouco pelo real na hora da troca.

Os especialistas sugerem, contudo, ser importante levar cédulas da moeda do país de destino para garantir pequenos gastos (como um táxi quando chegar ao aeroporto, um lanche ou compras em locais que não aceitam cartões).

O ideal é o consumidor pesquisar as particularidades de cada país de destino para saber qual porcentagem em dinheiro vivo levar (há países onde a aceitação de cartões de débito e crédito é menor e é preciso levai mais dinheiro em espécie).

Há também a questão da segurança. O ideal é guardas pequenas quantidades das notas em locais distintos e, a quem achar melhor, deixar uma parte em “doleiras”.

- Saques em moeda estrangeira no exterior
Os saques costumam ser taxados pelas instituições financeiras a cada transação. A taxa é somada ao IOF, o que torna a operação um pouco desvantajosa, avaliam os especialistas. Dessa forma, a modalidade pode ser considerada mais para uma medida emergencial.

"Normalmente há taxas que precisam ser consideradas. As instituições sempre cobram alguma taxa de serviço. Você paga a troca [conversão] e ainda tem a taxa", além do IOF, diz Nehme.

Assim como para o uso do cartão de débito, o ideal é entrar em contato com o banco e pedir o desbloqueio do saque no exterior.

 

Fonte: Gabriela Gasparin Do G1, em São Paulo
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